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Minimalismo

por Andrea Alves
MINIMALISMO

A pandemia fez com que algumas pessoas refletissem sobre a forma como vivem, como consomem e o que é realmente importante. Saiba mais sobre o minimalismo, estilo de vida em que menos é mais

Atualmente muito se fala sobre minimalismo. Documentários foram realizados em famosas plataformas de streaming e durante a pandemia o assunto ganhou força.

Mas afinal, o que é minimalismo?

O conceito surgiu no século 20, referindo-se a uma série de movimentos artísticos, culturais e científicos, caracterizando-se pelo uso de poucos elementos como base de expressão na arquitetura, pintura, moda etc. Mas com o tempo a ideia também foi incorporada a outras áreas de expressão humana e hoje obteve um conceito mais amplo.

“O minimalismo é mais do que um estilo de vida ou uma preferência estética. É um movimento que pode lhe ajudar a se livrar dos excessos, a favor do que é realmente importante para encontrar a felicidade, a realização pessoal e, principalmente, a liberdade. Tem a ver com desapego e abrir espaço para coisas novas e surpreendentes”, define a especialista em organização pessoal e de imagem, instrutora da OZ! Organize Sua Vida e conselheira da Associação Brasileira de Organização e Produtividade, Cristiane Belfiore.

Para a psicóloga especializada em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae e terapeuta familiar, Marina Vasconcellos, adeptos do minimalismo podem ser mais felizes, já que precisam de menos para se sentirem realizados.

“Você não fica eternamente frustrado, nem triste por não ter o carro do ano. Pode estar feliz com o seu ‘carrinho’, uma bicicleta, você se contenta e valoriza o que tem. Há uma maior sensação de prazer e gratidão e um olhar mais apurado aos prazeres que o consumo não traz: sentar-se em um banco de praça, olhar os pássaros, em vez de ir a algum lugar para consumir. Menos é mais.”

Cristiane explica que dá para levar o minimalismo para todas as áreas da vida. Não se trata de uma vida de escassez, mas de dar significado ao que já temos. “Ser minimalista não quer dizer que você precise ter uma vida de privações mas sim ter coisas que você realmente usa!  O minimalismo não só deixa a vida mais simples, a mente mais calma e relaxada, como também transforma a nossa casa em um local de mais paz e tranquilidade visual.”

A consultora conta que pratica a filosofia há oito anos. “Cada vez me livro de mais coisas, trabalhos e até mesmo de pessoas que sugam a energia e trazem pouco retorno. Posso garantir que estou mais feliz com as minhas escolhas e com a leveza em minha vida.”

Ele pode te ajudar a ganhar mais dinheiro também. O consultor financeiro Gustavo Cerbasi afirma em seu blog[1] que o minimalismo envolve um consumo mais enxuto, eficiente e sustentável. Quem adota essa linha de consumo evita compras excessivas e consequentemente preserva o seu patrimônio.

Pandemia e Aprendizado

Marina acredita que as pessoas repensaram a maneira de consumir durante a quarentena. “A pandemia trouxe a necessidade da praticidade. Em casa as pessoas não precisam se produzir para ir ao trabalho, passam a valorizar peças mais confortáveis, simples, que não precisam ‘estar combinando’. Muita gente teve que reorganizar a casa, tirar o que estava atrapalhando e liberar espaço para poder trabalhar. Teve muita limpeza. Isso foi bom.”

Para a psicóloga houve uma mudança até mais profunda, de comportamento, para algumas pessoas. “Acho que com a pandemia houve a oportunidade de valorizarmos o que realmente importa. O menos é mais funcionou também para as relações. Não somente objetos, como a qualidade das pessoas ao nosso redor. Refletir sobre quem eu quero do meu lado e se importa comigo e livrar-se das que não fazem falta.”

Mas o minimalismo veio para ficar? Marina torce para que sim, mas pondera: “Creio que para quem conseguiu olhar para dentro de si e valorizar as coisas simples, o consumismo diminuiu e a tendência é permanecer assim. Mas vejo muita gente dizendo ‘Não vejo a hora de ir para o shopping comprar’. Então depende da pessoa.”

Eu gostaria que houvesse essa consciência, mas infelizmente não temos como mensurar isso na prática. Ainda há muito desperdício no mundo.”, diz Cristiane. Ela acredita, no entanto, que a pandemia fez com que houvesse uma reavaliação de valores para alguns. “Acho que algumas pessoas conseguiram despertar para uma nova forma de viver, enxergando que as coisas mais simples são, talvez, as mais importantes. Que menos realmente é mais. E que a casa é verdadeiramente a nossa fortaleza.”

Quer Praticar o Minimalismo? Dicas para Começar:

Se você gostou, aqui vão algumas dicas de Cristiane para viver de maneira mais simples e com mais significado. A transição pode ser feita de maneira suave. Importante: quem determina o que é minimalismo é você. “É um processo de dentro para fora, de autoconhecimento e reflexão sobre o que realmente importa neste momento da sua vida”, reforça a consultora.

  • Anote qual o seu objetivo. Por exemplo: menos roupas, parar de comprar coisas que não precisa, etc.
  • Estabeleça prazos, caso contrário você pode esquecer da sua meta.
  • Aproveite o final de ano e faça aquela limpeza! Tire as coisas do caminho e pergunte-se: eu REALMENTE preciso disso? E muito cuidado com o “E SE”. Doe ou venda o que tem certeza que é hora de deixar ir e guarde por um tempo o que possa te deixar em dúvida.
  • Desapegar pode ser difícil. Comece devagar e vá no seu ritmo, sem perder o foco da sua meta.
  • Qualidade importa mais do que quantidade. Economize para investir em coisas que realmente goste e te tragam alegria.

Moda e Minimalismo, Retrato de uma Época

De acordo com o designer gráfico especializado em consultoria de tendências, Eduardo Sguerra, existem duas formas de se enxergar o minimalismo na moda. Uma é ao pé da letra, ligada aos movimentos artísticos iniciados nos anos 60, que limparam os elementos decorativos e resultaram em roupas normalmente cortadas de forma muito clássica ou muito arquitetural, numa cartela monocromática. A estilista alemã Jil Sander[2] foi a grande expoente do minimalismo clássico.

Mas no começo do século, Chanel[3] já propunha mudanças no guarda-roupa feminino como um pré-exercício ao minimalismo, oferecendo à mulher peças de movimentos mais amplos, calças, malhas e chapéus de tamanho reduzido. Libertava-se dos excessos do século 19, com seus espartilhos e camadas excessivas. Eram tempos de guerra e recessão.

Em 2020 o mundo todo também passou por momentos difíceis. Para Eduardo, o minimalismo é uma tendência que já vinha tomando espaço antes mesmo da pandemia. “Em 2019 os parisienses compraram mais roupas de segunda mão do que em lojas de fast-fashion. Acho que as pessoas continuarão comprando, mas vejo uma correção no mercado. Marcas com produtos de baixa qualidade estão acabando, os consumidores vêm preferindo peças com mais qualidade e mais valor agregado ao design.” O designer gráfico conta que também passou a comprar menos durante a pandemia. “Agora penso mil vezes antes de comprar e dou prioridade a peças-coringa. Uso mais vezes o que já tenho. Reformo as minhas roupas, tenho comprado em brechó e pensado mais no guarda-roupa globalmente.” As prioridades passaram a ser outras. “Com isso otimizei o meu dinheiro para outras experiências importantes, como estar com amigos, melhorar a qualidade de vida, cuidar do corpo, investimentos etc.”


[1] https://www.gustavocerbasi.com.br/blog/minimalismo-um-conceito-que-vale-a-pena-ser-adotado/

[2] https://harpersbazaar.uol.com.br/moda/jil-sander-de-editora-de-moda-a-estilista-minimalista/

[3] https://pt.wikipedia.org/wiki/Coco_Chanel

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