Previna-se da Dengue

Os casos da doença costumam aumentar no verão e combatê-la é dever de todos.  Saiba como.

Em 24 de novembro do ano passado o Ministério da Saúde lançou a campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Com o tema “Combater o mosquito é comigo, com você, com todo mundo. Faça sua parte”, os agentes enfrentaram o desafio de sair em campo em plena pandemia da Covid-19, conscientizando sobre mais um inimigo.

De janeiro a novembro de 2020 foram registrados 971.136 casos de dengue, com taxa de incidência de 462,1 casos por 100 mil habitantes no país, de acordo com o Ministério da Saúde.[1] As maiores taxas foram no Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal.

A infectologista do Hospital Santa Catarina (SP), dra. Glaucia Fernanda Varkulja, alerta para o fato de que a COVID-19 e a dengue compartilham de algumas semelhanças clínicas e laboratoriais. Daí a importância de se proteger. “Métodos laboratoriais de menor sensibilidade, assim como diagnósticos falso-positivos, podem gerar complicações ao paciente e maiores desafios ao já sobrecarregado sistema de saúde. Que todos sigam conscientes de suas responsabilidades.”

A dengue é uma doença infecciosa (arbovirose[2] urbana) de maior incidência nas Américas. Sua transmissão ocorre pela picada das fêmeas do mosquito Aedes aegypti. A fêmea pica uma pessoa doente e se infecta com o vírus. Depois, ao picar uma pessoa saudável, inocula o vírus junto com a saliva. “Existem registros de transmissão vertical em humanos (gestante infecta o feto), e via tranfusional, mas são situações mais raras”, diz a dra. Glaucia.

O diagnóstico é realizado por meio de exames que detectam a presença do vírus. Também são usados os que detectam a presença de anticorpos (que indiquem contato recente). “Os resultados devem ser interpretados com cautela, já que há chance de reação cruzada com outras doenças, assim como falsos negativos (na dependência da data da coleta em relação ao início dos sintomas).”

Tipos de Dengue e Sintomas

São quatro os sorotipos que causam a doença, que pode se manifestar da forma mais clássica, geralmente semelhante a uma gripe forte. O paciente tem febre, acompanhado de dois ou mais dos seguintes sinais:

  • Dor de cabeça
  • Prostração
  • Dores no corpo
  • Dores nas articulações
  • Dor atrás dos olhos
  • Manchas vermelhas pelo corpo
  • Náuseas e vômitos

Crianças que moram em áreas de transmissão da doença e apresentem febre podem estar com dengue mesmo sem os outros sintomas. Em menores de dois anos de idade os sintomas podem se manifestar por sinais como choro persistente e irritabilidade, esclarece a dra. Glaucia. E pode haver a infecção assintomática (sem sintomas).

Na forma hemorrágica as manifestações podem ser mais graves (fase crítica a partir do terceiro dia de sintomas) e podem evoluir para choque (com insuficiências orgânicas) e, por vezes, óbito.

Posso pegar dengue mais de uma vez?

Sim. “Quando se tem a doença por um sorotipo a resposta imunológica à doença é específica àquele sorotipo e não protege aos demais. Isso aumenta a chance de evolução de casos mais graves. Como são quatro sorotipos uma pessoa pode ter dengue até quatro vezes”, explica a médica.

Tratamento

Segundo a dra. Glaucia não há medicamento antiviral específico. Repouso (e não tomar remédios sem prescrição médica) é fundamental para a recuperação do corpo.

 “O tratamento é de suporte, principalmente com a reposição de líquidos do paciente. A intensidade dessa reposição dependerá da gravidade da doença. Também o controle de sintomas com analgésicos, antitérmicos e antieméticos e antipruriginosos, se necessário. Pode haver internação para monitoramento e manejo do paciente.”

Prevenção é fundamental, principalmente no verão

O calor somado às chuvas (e à falta de cuidado com a água parada) torna o ambiente mais propício à formação de criadouros do mosquito transmissor. A médica alerta que todas as oportunidades de combater o mosquito são valiosas e vale a adoção de medidas simples, tais como:

  • Substituir a água dos pratinhos de planta por areia.
  • Caixas-d’água sempre tampadas.
  • Manter cobertos reservatórios de água, como piscinas.
  • Tirar do ambiente todo material que possa acumular água (garrafas pet, latas e pneus, por exemplo).
  • Usar repelentes recomendados (à base de DEET, icaridina e IR 3535).
  • Evitar exposição em horário de atividade da fêmea do mosquito (tem hábitos diurnos, sobretudo ao amanhecer e entardecer).
  • Importante estar atento aos sinais e sintomas para evitar demora no atendimento e consequentemente formas graves de morte.

[1] https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-11/ministerio-da-saude-lanca-campanha-de-combate-ao-aedes-aegypti

[2] Arboviroses compreendem um conjunto de doenças causadas por vírus, que podem ser transmitidos aos seres humanos e outros animais pela picada de artrópodes (no caso o mosquito transmissor Aedes aegypti). Fonte: dra. Glaucia Fernanda Varkulja.

Andrea Alves

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