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Agosto Dourado

por Andrea Alves
AGOSTO DOURADO

Doe o seu Leite e Salve Vidas

“Apoiar o aleitamento materno por um planeta mais saudável” é o lema da campanha de 2020

A campanha mundial de aleitamento materno acontece todos os anos na primeira semana de agosto, com o objetivo de conscientizar as mães da importância do ato de amamentar.

Essa conscientização continua sendo muito importante, pois segundo as últimas estatísticas as taxas brasileiras estão abaixo do ideal estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), embora dentro da média mundial[1].

É o que explica o pediatra Dr. Moisés Chencinski, pediatra presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo. “A meta da OMS é de que pelo menos 50% das crianças do mundo recebam o aleitamento desde a sala de parto até o sexto mês, complementando a partir daí com alimentação equilibrada até os dois anos ou mais. As taxas mundiais batem próximas às do Brasil, em torno de 39%, com 54 dias de aleitamento materno exclusivo.”

Isso porque o leite materno é um alimento único, que previne doenças respiratórias, gastrointestinais, melhora a qualidade de vida do bebê, prevenindo obesidade, hipertensão, além dos benefícios imunológicos e de aumentar o vínculo com a mãe. “O leite materno traz uma base de estrutura de saúde que tende a evoluir com uma alimentação saudável”, diz o pediatra.

No entanto muitas mães não contam com leite suficiente ou mesmo nenhum leite materno para os filhos. Isso pode acontecer quando o bebê nasce prematuro, mas também por outros motivos. “Enquanto para um bebê normal o leite materno é saúde, para os prematuros é vida”, lembra Chencinski. Um bebê internado esperando por leite materno é uma situação extremamente angustiante para a mãe. É nessa hora que outra mãe pode – e deve – ajudar.

“As mães de bebês prematuros precisam estar descansadas e bem psicologicamente para produzirem bastante leite, e isso não acontece com o filho na UTI. Por isso os bancos de leite têm que contar com as mães que estão em casa e produzem muito mais leite, que chamamos de excedente”, diz a coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Maternidade de Campinas (HMC), Olívia Favaro.

Segundo ela 60% do leite no HMC é destinado a pacientes do SUS. “Esse leite materno é muito importante para os bebês que estão internados na UTI Neonatal, pois diminui a incidência e a gravidade de algumas doenças nessa fase.”

Doação e Pandemia

De acordo com Chencinski, apesar do Brasil ter a maior rede de banco de leite humano do mundo[2], ainda não temos leite suficiente para todos os prematuros do país. “Então é importante doar mesmo em tempos de pandemia, com exceção às mães sintomáticas ou COVID-19 positivo, ou ainda com qualquer patologia, como está na RDC 171[3] da rede de banco de leite humano”, completa.

“Sabemos que na rede paulista alguns bancos de leite sofreram com uma queda muito brusca nas doações por conta da pandemia, além de ser época de inverno, onde as doações tendem a cair. Aqui estamos nos mantendo, pois nos antecipamos e fizemos campanha. Trabalhamos buscando o leite nas residências seguindo todas as recomendações do Ministério da Saúde”, comenta Olívia.

Neste ano a campanha Agosto Dourado leva o tema “Apoiar a Amamentação por um Planeta mais Saudável[4]”. Para Olívia a ideia não poderia ser mais adequada: “Tem tudo a ver com amamentação, pois o leite materno é um alimento natural, ambientalmente seguro, ecológico, produzido sem contaminação, sem embalagem e sem desperdício para um bebê que tanto precisa.”

Quem Pode Doar

Toda mulher que está em casa saudável, amamentando, que produz leite excedente. “Primeiro ela amamenta o seu bebê e o que sobra envia para o banco de leite”, explica Olívia.

Como funciona

“A doadora liga para o banco e nós preenchemos uma ficha cadastral por telefone”, diz Olívia. O procedimento é para saber se a mãe faz uso de alguma medicação, entre outras questões. Exames de sangue também são necessários e a mãe vai uma única vez ao hospital para realizá-los. “Depois passamos nas residências para retirar o leite. Com o nosso estoque hoje conseguimos abastecer apenas os bebês que estão no hospital na UTI e CTI.”

Uma vez coletado o leite passa por um processo de pasteurização e análise microbiológica e somente depois é encaminhado aos bebês que estão internados.

Veja Como Doar:

Encontre o Banco de Sangue Mais Próximo de Você:

https://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/doacaodeleite/

#fiqueemcasa   #quarentena


[1] https://g1.globo.com/bemestar/noticia/apenas-39-dos-bebes-brasileiros-sao-alimentados-so-com-leite-materno.ghtml

[2] https://rblh.fiocruz.br/brasil-apoia-criacao-da-rede-de-bancos-de-leite-humano-em-oito-paises#:~:text=O%20Brasil%20%C3%A9%20refer%C3%AAncia%20e,coleta%2C%20al%C3%A9m%20da%20coleta%20domiciliar.

[3] http://www.redeblh.fiocruz.br/media/rdc_171.pdf

[4] http://www.aleitamento.com/promocao/conteudo.asp?cod=2491

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