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Abril Azul – mês da conscientização sobre o autismo

por Leandro Ferreira

Infelizmente portadores do transtorno do espectro autista ainda sofrem muito preconceito. Campanha alerta para a importância de se identificar a condição e iniciar o tratamento o mais rápido possível

O transtorno do espectro autista (autismo) é caracterizado por uma complicação do neurodesenvolvimento. Esta condição acomete crianças e causa dificuldade com a interação social e comunicação, além de um comportamento mais restrito.

De acordo com a neuropediatra do Hospital Santa Catarina Paulista, dra. Renata Barbosa Paolilo, o autismo tem sido cada vez mais diagnosticado. A médica explica que o autismo pode ter uma variada possibilidade de causas e tipos e por isso ganhou o nome de transtorno do espectro autista. “Temos que explicar que não se trata de uma doença, mas sim de uma condição que possui uma ampla apresentação clínica.”

De acordo com a dra. Renata há estudos que apontam que o autismo pode se manifestar em uma a cada quarenta crianças, ou uma a cada quinhentas crianças, dependendo do país. A condição tem maior incidência em meninos e em crianças que possuem familiares portadores do autismo.

Graus de Dependência

Os graus de dependência utilizados quando o diagnóstico do autismo é confirmado são: leve, moderado ou grave.

“Por exemplo: se o paciente precisa de ajuda para comunicar, locomover ou se vestir, é considerado um grau grave. Por outro lado, se o paciente se comunica e interage com maior facilidade, porém ainda apresenta dificuldades em determinadas situações, é considerado de grau leve”, explica dra. Renata. “Devido à ampla variedade no modo em que o autismo se manifesta, alguns pacientes podem apresentar uma inteligência aguçada e altas habilidades. Por exemplo, muitos possuem alta habilidade para desenhar ou armazenar conhecimento sobre um assunto específico.”

Diagnóstico

Dra. Renata esclarece que o diagnóstico para o autismo é clínico, não sendo necessário nenhum exame de sangue, imagem ou ressonância.

O diagnóstico é feito com base nos critérios DSM-5, desenvolvidos pela Academia Americana de Psiquiatria . “Estes critérios contemplam alterações de comportamento, comunicação e interação social“ (ver quadro).

Para a neurologista o diagnóstico precoce é fundamental. Não existe idade mínima para o diagnóstico, mas estudos apontam que quanto mais cedo a criança é encaminhada para tratamento, melhor será a sua resposta ao processo de reabilitação. “Durante a infância o cérebro humano tem uma capacidade de plasticidade neuronal muito grande e por isso crianças têm maior facilidade de aprender novas habilidades.”

Importante: esta etapa deve ser realizada por um especialista que faça uma avaliação e exclusão de diagnósticos diferenciais. Nesta situação alguns exames podem ser necessários.

Tratamento

O tratamento consiste em terapias individualizadas e multidisciplinares e contemplam diversas especialidades, com destaque para as terapias educacionais e comportamentais (essa última com maior comprovação científica, baseada nos métodos ABA e Denver ).

Outra terapia importante para o desenvolvimento da comunicação verbal e não-verbal é a fonoaudiológica, além da ocupacional, que foca na integração sensorial.

“Outros métodos estão sendo estudados, porém as terapias citadas são as que possuem maior evidência científica até o momento”, diz a neuropediatra.

Por que a Campanha é Importante?

A campanha Abril Azul é extremamente relevante para aumentar o conhecimento da população e conscientizar sobre a importância de um diagnóstico precoce. “O mais importante é falarmos sobre o assunto com frequência”, diz a dra. Renata. Para ela, somente desta forma as pessoas conseguirão identificar as características da condição em seus familiares, vizinhos e amigos, podendo, assim, encaminhá-los a um especialista. “Cada paciente tem a sua particularidade. Além disso é muito importante que estejam inseridos na sociedade, para que possam se desenvolver melhor, especialmente no ambiente escolar, cujo apoio, além do familiar, é fundamental.”

Sintomas mais comuns

De acordo com a neuropediatra dra. Renata Paolilo, os pacientes com o transtorno de espectro autista podem apresentar:

• Atraso na linguagem.
• Dificuldades para se comunicar.
• Dificuldade de fazer contato visual.
• Problemas ao compreender brincadeiras e expressões.
• Dificuldades de reproduzir expressões faciais.
• Interesses restritos.
• Comportamento agitado.
• Presença de estereotipias (movimentos repetitivos).
• Alterações sensoriais (restrição da alimentação ou distúrbio do sono).

[1] https://www.psychiatry.org/

[2] https://institutoneurosaber.com.br/o-que-e-aba-e-quais-suas-caracteristicas/

[3] https://institutoneurosaber.com.br/como-trabalhar-o-metodo-denver-no-autismo/

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