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Aumento do Consumo de Álcool Preocupa na Pandemia

por Andrea Alves
AUMENTO DO CONSUMO DE ÁLCOOL PREOCUPA NA PANDEMIA

Momentos de estresse e ansiedade podem ser as causas. Dependentes devem procurar ajuda

O aumento do consumo de álcool tornou-se um problema difícil para os alcoólatras e familiares com quem convivem durante a pandemia da COVID-19.  Um estudo publicado na revista Drug and Alcohol Review[1], que incluiu o Brasil, apontou o aumento do consumo de bebidas alcoólicas em casa desde o início do isolamento social, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a recomendar que os países restrinjam a venda do álcool.[2]

Além de deixar o organismo mais vulnerável para bactérias e vírus[3], o álcool pode colaborar para o aumento da depressão. Para a psiquiatra da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e do Programa Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo (PROTOC) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Dra. Denise Gobo, em épocas de acontecimentos considerados catastróficos, como por exemplo o 11 de Setembro nos EUA, as guerras e agora a pandemia, é perceptível o aumento do consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas. “As pessoas tendem a justificar o aumento do uso para buscar lidar com as emoções, a diminuição da ansiedade e da sensação de incerteza. O nosso cérebro libera uma série de hormônios quando estamos ansiosos tentando buscar uma situação confortável, de prazer rápido. O alcoolista busca na bebida estas respostas, ativando este circuito neurológico cerebral da recompensa.”

Dra. Denise explica que o aumento ocorre também com pacientes que já faziam tratamento. “Alguns já estavam abstinentes há um tempo e recaíram; outros que faziam uso eventual acabaram aumentando a quantidade, passando à dependência.”

Outra triste realidade foi que a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos detectou um aumento de agressões em mulheres, crianças e idosos, associada ao aumento do consumo de álcool[4]. “O paciente muitas vezes está em uma situação de conflito, de instabilidade financeira, às vezes convivendo com familiares que pouco convivia. Acaba fazendo o uso da bebida e perdendo ‘freios’ que ele tinha para não ser violento com a parceira ou outro familiar e torna-se ainda mais violento.”

Ajuda e Tratamento

A psiquiatra explica que é importante o apoio dos familiares e amigos. “São essas pessoas que indicam ao portador que o hábito se tornou uma doença. Elas que costumam perceber que os familiares estão extrapolando. O sucesso no tratamento sem essa ajuda é mais difícil.” Além dos Alcóolicos Anônimos (ver quadro) há grupos na internet que falam sobre a dependência química, como pode ser tratada e, se o alcoolista se percebe depressivo ou ansioso, como fazer para tratar essa depressão ou ansiedade – o que vai ajudar a diminuir o uso da bebida alcóolica.

Procure Ajuda

Os Alcoólicos Anônimos fazem reuniões diárias online no período de pandemia às 20h00. Conheça e acesse:

www.aaonline.com.br

S.O.S Familiares de Alcoólicos:

https://www.facebook.com/groups/sosfamiliaresalcoolicos/?ref=share

Violência Doméstica – Denuncie:

https://www.gov.br/mdh/pt-br/acesso-a-informacao/ligue-180


[1] https://onlinelibrary.wiley.com/journal/14653362

[2] https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/04/bebida-alcoolica-deve-ser-restringida-na-quarentena-por-coronavirus-diz-oms.shtml

[3] https://noticias.r7.com/saude/coronavirus-os-4-pilares-para-manter-a-imunidade-em-dia-28032020

[4] https://www.gov.br/mdh/pt-br/canais_atendimento/ouvidoria

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