Outubro Rosa – É tempo de Conscientização

O diagnóstico precoce do câncer de mama pode salvar milhares de vidas. Em outubro lembramos às mulheres da importância da prevenção, já que, uma vez descoberto em tempo, este é um câncer altamente curável

Chega o mês de outubro e tudo fica rosa! É comum avistarmos a iluminação da cor rosa nos prédios de cidades em todo o mundo, assim como outras ações que fazem parte da campanha Outubro Rosa, cujo objetivo é difundir mensagens voltadas para a prevenção e cura do câncer de mama.

A campanha teve o seu início em meados dos anos 20 nos Estados Unidos e se consolidou em 1997[1].  Hoje serve como alerta para mulheres de todo o mundo sobre a enorme importância do diagnóstico precoce.

No Brasil, este é o segundo câncer que mais afeta as mulheres (perdendo apenas para o câncer de pele não-melanoma). A estimativa é de 66 mil casos novos para cada ano do triênio 2020-2022, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA)[2].

O oncologista e consultor científico da Clínica de Oncologia Médica CLINONCO e médico do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Artur Malzyner, explica que o câncer de mama é resultante da proliferação desordenada das células que revestem as glândulas ou os canais de condução do leite dentro do seio da mulher. Uma vez disseminado, ou seja, atingida uma certa dimensão, ele é de difícil cura e pode se espalhar para os gânglios linfáticos da axila ou para aqueles entre os pulmões e outros órgãos, como fígado e cérebro.

A boa notícia é que, de acordo com o médico, nunca antes as mulheres foram tão bem-sucedidas diante da possibilidade de serem curadas, assim como na manutenção da sua qualidade de vida. E isso é possível graças à prevenção.

“O diagnóstico precoce, a possibilidade de corrigir um estilo de vida contraindicado e o tratamento adequado permitem alcançarmos um alto percentual de cura, que hoje chega a ser de 95% a 97%, quando o tumor é diagnosticado precocemente.”

Por isso mesmo a prevenção é tão importante. De acordo com dr. Artur, a iniciação aos exames preventivos é indicada a partir dos 50 anos, mas pode-se começar antes, dependendo das características de cada caso. “Quanto mais houver história de câncer de mama na família, que sugira a existência de um componente genético, mais precocemente devemos começar a realizar os exames de imagem.”

São múltiplos fatores que podem desencadear o desenvolvimento da doença. A mutação genética, herdadas de um ou de ambos os pais, é uma das causas do câncer de mama. Outras são as influências de fatores ambientais, como a exposição prolongada a hormônios estrogênicos, o que ocorre por exemplo em casos de reposição hormonal durante a menopausa.

Há também fatores que podem contribuir para a doença, como tabagismo, alcoolismo, obesidade e a exposição ao raio x na altura do tórax durante anos. E há fatores que reduzem o risco, como já haver amamentado.

Autoexame Não Substitui os Exames de Imagem, mas Pode ser um Aliado

As mamas sofrem alterações ao longo do mês e familiarizar-se com esse ciclo pode ajudar a mulher a identificar alterações que podem se desenvolver nos seios.

“Quando realizado da maneira recomendada pelos profissionais da área, o autoexame é um instrumento valioso” explica dr. Artur. Ele deve ser realizado no intervalo das mamografias. “Importante dizer que o autoexame não substitui e não é comparado em eficiência aos exames de imagem, mas pode surpreender modificações de rápida evolução que a mamografia do ano anterior ainda não revelou e que pode não haver tempo útil para esperar a seguinte.”

Em caso de suspeita de qualquer sintoma, a mulher deve procurar o médico para ser avaliada. São eles:

  • Vermelhidão ou descamação na mama
  • Dor no mamilo ou na aréola
  • Dores nas mamas
  • Retrações na pele da mama
  • Secreções mamilares
  • Algum nódulo recém descoberto no seio ou na axila

Tratamento

Uma vez diagnosticada a doença é importante compreender, monitorar e cuidar de cada etapa. O tratamento pode incluir a cirurgia, quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia, dependendo de cada caso.

Quanto mais precoce o diagnóstico menor é a agressão cirúrgica e quimioterápica, assim como deve haver menos efeitos colaterais ao tratamento. “Algumas mulheres recebem tratamento anti-hormonal, que chamamos de drogas dirigidas. Existe uma série de variações individuais”, exemplifica o dr. Artur.

De acordo com o oncologista, a cirurgia reconstrutiva evoluiu muito ao longo dos últimos 30 anos, com bons cirurgiões e técnicas que permitem preservar a mama, sem riscos. “Há 30 anos a cirurgia era mutiladora, retirava-se tudo. Hoje, dependendo da dimensão, características e localização do tumor no seio, pode-se apenas retirar o nódulo, preservando a mama, e esse câncer curado com radioterapia depois que a cirurgia foi feita.” 

O fim do tratamento pode ser considerado o início de uma nova vida, que pode englobar mudanças de hábitos, privilegiando saúde e qualidade de vida e evitando os fatores de risco, como o álcool, o tabagismo, o excesso de peso e uso de alguns hormônios.

Dr. Artur finaliza com um alerta: “O tumor diagnosticado precocemente é a pedra angular entre a cura e um cenário desfavorável.”

Portanto, se você ainda não se consulta com ginecologista uma vez por ano para fazer os exames, especialmente se tiver mais de 50 anos, comece a fazê-lo. Essa ação é um presente para a sua saúde e pode salvar a sua vida!

Quer Ajudar a Combater o Câncer de Mama? Veja como:

Algumas entidades trabalham para ajudar na batalha contra o câncer de mama. Ações como a doação de cabelos para a confecção de perucas para mulheres com poucos recursos, vendas revertidas para a causa e agendamento de mamografias são realizadas em todo o país. Você também pode conhecer o trabalho delas e apoiá-las. Acesse:

Seleção de ONGs em todo o país:

https://www.femama.org.br/site/br/ongs-associadas/encontre?t=1602871869

https://www.americasamigas.org.br/

https://www.bepinkoutubrorosa.com.br/como-ajudar

http://www.cabelegria.org/#Doe-seu-cabelo

https://amoremmechas.com/


[1] www.outubrorosa.org.br/historia

[2] https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/estimativa-2020-incidencia-de-cancer-no-brasil

Andrea Alves

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Andrea Alves

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