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Estado Emocional das Mulheres na Pandemia é Mais Afetado

por Andrea Alves
ESTADO EMOCIONAL DAS MULHERES NA PANDEMIA É MAIS AFETADO

Estudo comprova que as mulheres são psicologicamente mais atingidas com a ansiedade e depressão durante a pandemia da COVID-19. O que fazer para lidar com a situação de forma mais leve e menos traumática.

A pandemia impactou a população brasileira de diversas formas. Além da violência doméstica e do aumento no consumo de alimentos, álcool e drogas, a situação agravou o estado emocional de diversas pessoas. E as mulheres têm sido as mais afetadas.

É o que mostra um estudo do Instituto de Psiquiatria (IPQ) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP )[1] realizado entre maio e junho de 2020, em 26 estados brasileiros e Distrito Federal. Dos três mil voluntários da pesquisa, 40,5% das mulheres relataram sintomas de depressão (ler matéria sobre depressão Setembro); 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse.

“Sem dúvida existe mais pressão sobre as mulheres, especialmente na faixa dos 30 aos 40 anos, momento da vida em que acumulam muitos papéis sociais. E este é um gatilho para que desenvolvam quadros de depressão e ansiedade.” É no que acredita a psicóloga e coach Sandra Tambara.  “A pandemia agravou esta sobrecarga porque alterou a rotina das famílias.”

Para Sandra há vários fatores que interferem neste resultado. “Desde a menarca (primeiro fluxo menstrual) as mulheres absorvem as emoções com maior sensibilidade. As questões sociais e culturais também podem interferir na saúde emocional, além do consumo de álcool, tabagismo e outras drogas que prejudicam o equilíbrio psicológico de qualquer pessoa.”

Apoio da Família é Fundamental

Mulheres cumprem jornada dupla, acompanham o desenvolvimento escolar dos filhos e, durante o confinamento, estão convivendo com mais pessoas dentro de casa. Soma-se a isso a preocupação com a situação, já que uma das hipóteses da pesquisa é que a pandemia tenha deixado as mulheres mais vulneráveis à falta de perspectiva e incertezas quanto ao futuro, tornando-as mais suscetíveis.

“O estresse se instala quando a pessoa não vê saída para o problema, vê o futuro incerto”, diz a psicóloga. “Uma mãe ansiosa passa a não enxergar as suas necessidades, dos filhos e da família no presente. Há uma insatisfação em não conseguir realizar o que se deseja para o futuro e a frustração de não ter feito no passado. Tudo isso, em alto grau, gera depressão.”

Para a profissional é fundamental que os demais integrantes da família contribuam para aliviar essa carga e “quebrar” o ciclo, que pode ser o gatilho para o quadro de doença.

“Quando a pessoa se sente refém da família entra em um círculo vicioso de depreciação da comunicação interpessoal. É importante unir forças dentro do lar, envolver as crianças no ritmo da casa, ensinar o significado da palavra “ajuda” aos filhos e deixá-los compreender que os pais precisam de sua cooperação.”

Sandra explica que a situação é difícil para qualquer um que esteja engajado em cuidar da sua família e da carreira. “A pessoa se vê em uma briga interna, pressionada a dar conta de tudo com qualidade.”  De acordo com a psicóloga famílias sem diálogo, união e cooperação tendem a sobrecarregar uma só pessoa. “Quase sempre a mulher. Mas quando sentimos que somos apoiadas por aqueles a quem amamos a esperança aumenta e o otimismo se faz presente. As empresas, por exemplo, estão compreendendo que as mulheres são necessárias para equilibrar o mundo corporativo.”

O autoconhecimento também é importante, pois traz para o consciente questões escondidas, disfarçadas de reações como excesso de controle, irritação, raiva etc.

“E se o quadro de tristeza se estender é importante ter a coragem e a responsabilidade de pedir ajuda aos especialistas.”

Tratamento

Casos de ansiedade e depressão são controlados quando acompanhados por um médico psiquiatra e psicólogo. A medicação trará um resultado positivo para controlar a crise em que a pessoa se encontra. E a psicoterapia amplia a possibilidade de tratar a causa da doença, que na maioria dos casos é psicossomática; ou seja: traumas, ressentimentos e medos que se manifestam pela dor.

“Saber o que a dor e o sofrimento podem nos ensinar é um caminho de amadurecimento que pode resultar em uma vida mais leve e mais afetiva.”

Para Sandra é possível desenvolver mais positividade, fé, autocontrole e vitalidade, entre outras qualidades. E a ciência tem concluído a importância desses valores. “Para isso é preciso conhecer ferramentas que ampliem a nossa visão de mundo. Todos temos forças e potencialidades adormecidas. Pessoas com gratidão, espiritualidade e propósitos de vida claros apresentam menor disposição para o caminho da depressão. Elas encontram sentido nas coisas além do mundo material.”


[1] https://jornal.usp.br/ciencias/mulheres-foram-mais-afetadas-emocionalmente-pela-pandemia/

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